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FPAS participa na reunião do IMPA

A FPAS participou na reunião do Informal Meat Pork Association (IMPA) que teve lugar por videoconferência com sede na Dinamarca.

Da agenda fizeram parte os temas mais prementes do sector, tais como:

  • Situação do mercado;
  • PSA na Alemanha;
  • Brexit;
  • Acordos Comerciais;
  • Green Deal

Sobre o mercado foi apresentado o relatório anual do Meat Market Observatory que registou, em 2020, uma redução do efetivo reprodutor de 0,5% na Europa, mas um aumento de porcos em produção de 2%.

Espanha e Dinamarca destacam-se pelo aumento do número de abates e, no outro lado da tabela, encontram-se Alemanha (-2,4%) e Itália (-12%).

Relativamente aos preços, os EUA têm pela primeira vez, desde há muotos anos, o preço dos porcos superior ao preço europeu, ao passo que o Brasil também apresenta um preço elevado, mas agora com tendência de descida. O preço canadiano também é relativamente alto.

No ano 2020 as exportações europeias subiram 18,8%, muito impulsionadas pela procura chinesa que aumentou as suas importações de carne de porco europeia em 45,2%, comparativamente com o ano 2019.

Do lado das matérias.primas, a China está a provocar um aumento do preço a nível mundial porque está a alterar o perfil das suas explorações suinícolas eliminando as explorações caseiras e construindo muitas explorações industriais, mesmo que não tenha recuperado totalmente a produção perdida com a PSA.

Para os próximos meses esperam-se subidas de preços na Europa com a expectativa da subida do consumo nos países do centro e norte da Europa impulsionadas por menos férias no estrangeiro e uma época de barbecues já sem confinamento. Nos países do sul o preço deve ser impulsionado pela procura chinesa.

Sobre a disseminação da PSA na Alemanha, mantém-se os contactos entre Angela Merkl e Xi Jiping com vista à regionalização, mas perspectivam-se vários problemas com javalis nos próximos anos, pelo que não se esperam grandes alterações nos próximos tempos. Por outro lado, há uma grande instabilidade política na Alemanha que tem eleições este ano com boas sondagens para partidos que querem sancionar a China por questões relacionadas com o desrespeito pelos direitos humanos.

Pode haver um desbloqueio das negociações da Alemanha com países como o Japão e o Vietname à semelhança dos acordos de regionalização que a Hungria conseguiu com esses países asiáticos.

Já França está em negociações avançadas com a China rumo à compartimentalização como prevenção para um eventual surto de PSA no país gaulês.

Sobre o Brexit, 2020 foi um ano bom em termos de exportações do Reino Unido, sobretudo para a China. No entanto, em janeiro de 2021 houve uma grande quebra de exportações de carne de porco motivado pelo fecho da Europa.

Houve um impacto imediado do Brexit, mas a preocupação é a longo prazo e, para já, os impactos que pode ter um novo surto de COVID-19 nalgum matadouro que esteja a exportar para a China.

Sobre a diplomacia comercial da UE, está bastante condiocnada pela estratégia Farm to Fork e, por isso, o acordo com o Mercosul está a ser fortemente criticado por razões de sustentabilidade.

Já sobre o Green Deal realça-se o papel de Frans Timmermans na condução do processo, sendo pioneiro na Comissão como alguém que privilegia o ativismo à ciência como forma de fazer política. Esta estratégia está a condicionar a condução de dossiers como o bem-estar animal e a definição das campanhas de promoção de produtos agrícolas.

A UE considera que o Farm to Fork não está a avançar à velocidade devida e prepara-se para dar um novo impulso à estratégia. A questão é se o sector da carne está preparado ou de acordo com a estratégia. A resposta deve ser afirmativa, mas as organizações devem ter atividades no sentido de equilibrar as retóricas dominantes.

O IMPA volta a reunir em Outubro, em Paris.